O FIASCO, Imre Kerstész

junho 28, 2009

ofiasco2

E isso é necessário.

– É assim mesmo – disse o velho.

É necessário – e nosso desenvolvimento se direciona cada vez mais para esse lado – que nada aconteça conosco, nada que é estranho, somente o que já há muito nos pertence. Já que tivemos que reavaliar tantas variedades de força motriz, iremos também reconhecer aos poucos que aquilo que nós chamamos de destino procede de dentro do homem, e não atua sobre ele de fora. Só que os homens, em sua maioria, enquanto seu destino vivia dentro deles, não o assimilaram, não o transformaram, e assim não tiveram como reconhecer aquilo que se originou de dentro deles; era-lhes tão estranho que, em seu medo conturbado, eles acreditaram: certamente tinha sido naquela hora que ele se mudou para dentro deles, porque até ousariam jurar jamais ter encontrado algo antes semelhante dentro de si. Assim como por muito tempo o homem imaginou o movimento do Sol de forma errada, assim ele se frustra hoje ainda com relação ao movimento do porvir. O futuro, caro sr. Kappus, permanece firmemente de pé, enquanto nós nos movimentamos no espaço infinito.

O velho estava parado, imóvel e rijo, com o livro nas mãos.

Uma resposta to “O FIASCO, Imre Kerstész”

  1. Sofia Says:

    A parte em itálico é um trecho de “Cartas a um jovem poeta”, do Rilke.
    Ou seja, este grifo meu é, na verdade, um grifo do personagem. 🙂

    No próximo post, o trecho retirado do livro do próprio Rilke.


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