FAHRENHEIT 451, Ray Bradbury

junho 23, 2014

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Estamos vivendo num tempo em que as flores tentam viver de flores, e não com a boa chuva e o húmus preto. Mesmo os fogos de artifício, apesar de toda a sua beleza, derivam de produtos químicos da terra. No entanto, de algum modo, achamos que podemos crescer alimentando-nos de flores e fogos de artifício, sem completar o ciclo de volta à realidade. Você conhece a lenda de Hércules e Anteu, o gigantesco lutador cuja força era invencível desde que ele ficasse firmemente plantado na terra? Mas quando Hércules o ergueu no ar, deixando-o sem raízes, ele facilmente pereceu. Se não existe nessa lenda nenhuma lição para nós hoje, nesta cidade, em nosso tempo, então sou um completo demente.

4 Respostas to “FAHRENHEIT 451, Ray Bradbury”

  1. ogrifoemeu Says:

    Um grifo do prefácio:

    “Em 1933, quando os nazistas queimaram em praça pública livros de escritores e intelectuais como Marx, Kafka, Thomas Mann, Albert Einstein e Freud, o criador da psicanálise fez o seguinte comentário a seu amigo Ernest Jones: “Que progressos estamos fazendo. Na Idade Média, teriam queimado a mim; hoje em dia, eles se contentam em queimar meus livros”.

  2. ogrifoemeu Says:

    E um grifo da Coda:

    “Encaremos, portanto – a digressão é a alma do intelecto. Tirem-se os apartes filosóficos de Dante, Milton ou do fantasma do pai de Hamlet e o que fica são ossos esquálidos. Laurence Sterne disse certa vez: ‘As digressões, incontestavelmente, são o brilho do sol, a vida, a alma da leitura! Elimine-as e um inverno eterno reinará em cada página. Restabeleça-as ao escritor – ele avança como um noivo, saúda a todas, introduz a diversidade e proíbe que o apetite fracasse’.

    Em suma, não me insultem com decapitações, decepações de dedos, esvaziamento de pulmões que pretendam fazer em minhas obras. Preciso de minha cabeça para rejeitar ou assentir, minha mão para saudar ou fechar um punho, meus pulmões para gritar ou sussurrar. Não irei gentilmente para uma prateleira, eviscerado, para me tornar um não livro.

    Todos vocês, juízes, voltem para as arquibancadas. Árbitros, para os chuveiros. A partida é minha. Eu arremesso, eu rebato, eu apanho. Eu corro as bases. No poente, ganhei ou perdi. No nascente, saio novamente, fazendo a velha tentativa.

    E ninguém pode me ajudar, nem mesmo vocês.”

  3. ogrifoemeu Says:

    Esse livro foi escrito em 1953. Mas poderia ter sido escrito agora.

  4. ogrifoemeu Says:

    Bradburry, Truffaut e Facebook:


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