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A VIDA DAS MUSAS, Francine Prose

janeiro 14, 2010

“Gostaria de usar algum perfume, mas só tinha água de colônia, o que me deixava enjoado. Teria então de invertar alguma outra solução (…). Comecei a ferver um pouco de água na qual dissolvi um pouco de cola de pixe (…). Enquanto esperava que a água começasse a borbulhar, corri para os fundos da casa, onde sabia que vários sacos de esterco de bode tinham sido depositados (…). De volta ao meu estúdio, joguei um punhado deste esterco, e depois mais outro, na cola derretida (…). Deixei a mistura toda solidificar-se até o estado de gel, e, quando estava fria, tomei um pedaço daquela pasta e passei por todo corpo.”

“Com isso”, decidiu Dali, “eu estava pronto”. Mas neste exato momento ele olhou pela janela e viu Gala, cujo dorso nu, como o de uma adolescente, “formava um hífem infinitamente esbelto entre a magreza voluntariosa, enérgica e orgulhosa do seu tronco e suas nádegas delicadas” o que o convenceu de que estava contemplando a mulher de seus sonhos. Ele começou a esfregar o corpo para eliminar a o odor e descartou os acessórios mais originais, embora tenha conservado o colar de pérolas e o gerânio vermelho.

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