Archive for the 'Jonathan Swift' Category

AS VIAGENS DE GULLIVER, Jonathan Swift

abril 6, 2011

Ouvi um debate acalorado entre dois professores sobre os modos mais cômodos e eficientes de arrecadar dinheiro sem escorchar demais os súditos. O primeiro afirmava que o método mais justo seria aplicar impostos sobre vícios e loucuras; a soma determinada para cada pessoa deveria ser estabelecida do modo mais justo através de um júri formado por seus vizinhos. O segundo era de opinião diretamente oposta: taxar as boas qualidades de corpo e mente daqueles homens que valorizam a si mesmos; o valor deveria ficar mais ou menos de acordo com os níveis de excelência; a decisão seria deixada totalmente a cargo deles mesmos.

(retirado da PARTE 3 – UMA VIAGEM A LAPUTA, BALNIBARDI, LUGGNAGG, GLUBBDUBDRIB E JAPÃO)

AS VIAGENS DE GULLIVER, Jonathan Swift

março 1, 2011

Nenhuma lei neste país pode exceder em palavras o número de letras de seu alfabeto, que não passam de vinte e duas. E, sem dúvidas, poucas leis chegam a ser assim tão compridas.

(retirado da PARTE 2 – UMA VIAGEM A BROBDINGNAG)

AS VIAGENS DE GULLIVER, Jonathan Swift

janeiro 26, 2011

Pois, disse ele, por mais bonita que nossa situação possa parecer a um estranho estamos, entre dois males: uma violenta dissidência interna e o perigo de invasão por poderosíssimo inimigo externo. Quanto à primeira, devo dizer-lhe que há mais de setenta luas existem dois partidos inimigos neste império, sob os nomes de Tramecksan e Slamecksan, que se referem aos saltos de seus sapatos, mais altos ou mais baixos, que distinguem uns dos outros.

Alega-se, é claro, que os saltos altos combinam mais com nossa antiga Constituição; mas, combinem ou não, Sua Majestade determinou que se usem apenas saltos baixos na administração do governo e em todos os cargos sob a égide da Coroa. E como ninguém pode deixar de notar, particularmente, que os saltos de Sua Majestade imperial são mais baixos pelo menos um drurr do que todos os demais saltos usados na corte (drurr é uma medida equivalente à décima quarta parte de dois centímetros e meio), as animosidades entre esses dois partidos tornaram-se tão altas que eles não comem, não bebem em companhia dos outros e muito menos se falam. Calculamos que os Tramecksan, ou os saltos altos, nos excedem em número; mas o poder está todo do nosso lado. Tememos que sua alteza imperial, o herdeiro da Coroa, tenha alguma tendência para os saltos altos; pelo menos, pode-se perceber que um de seus saltos é mais alto do que o outro, o que o faz mancar quando anda.

(retirado da PARTE 1 – UMA VIAGEM A LILIPUT)

AS VIAGENS DE GULLIVER, Jonathan Swift

janeiro 26, 2011

Era costume introduzido por Sua Majestade e seu ministério (muito diferente, conforme me asseguraram, das práticas de antigamente) que, depois de a corte haver decretado qualquer execução cruel, tanto para gratificar o ressentimento do monarca como a maldade de um favorito, o imperador fizesse um discurso para o Conselho, expressando sua grande misericórdia e brandura como qualidades conhecidas e reconhecidas por todo mundo. Esse discurso era de imediato publicado e espalhado pelo reino. Nada aterrorizava mais o povo do que esses enaltecimentos à misericórdia de Sua Majestade, porque era sabido que, quanto mais intensos esses elogios, mais desumana era a punição e mais inocente o condenado.

(retirado da PARTE 1 – UMA VIAGEM A LILIPUT)

MODESTA PROPOSTA, Jonathan Swift

maio 22, 2009

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Meditação a respeito de um cabo de vassoura

Segundo o estilo e a maneira das Meditações do honorável Robert Boyle

“Dir-se-á que um cabo de vassoura é um emblema de uma árvore de cabeça para baixo, mas o que é o homem senão uma criatura de pernas para o ar? Suas faculdades animais perpetuamente montadas sobre as faculdades racionais, sua cabeça onde deveriam estar seus cacanhares, arrastando-se pela terra. E, com todas as suas falhas, ele se pretende um reformador e corregedor universal dos abusos, um redentor das injustiças. Vasculha os mais sórdidos recantos, trazendo à luz corrupções ocultas, e levando uma imensa nuvem de pó onde antes nada havia, impregnando-se profundamente, ao mesmo tempo, dessa mesma poluição que pretende eliminar.”

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