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UM, NENHUM E CEM MIL, Luigi Pirandello

junho 6, 2009

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Eu queria estar só de um modo inusitado, totalmente novo. O oposto do que vocês pensam: isto é, sem mim e, portanto, com um estranho por perto.

Isso já lhes parece um primeiro sinal de loucura?

Talvez porque não tenham refletido bem.

Pode ser que a loucura já estivesse em mim, não nego, mas peço que acreditem que o único modo de estar realmente só é este que lhes digo.

A solidão nunca está com você, ela está sempre sem você e, portanto, ela só é possível na presença de algo estranho, lugar ou pessoa que seja, que o ignore completamente, e que você desconheça totalmente, de tal modo que a sua vontade e o seu sentimento fiquem suspensos e perdidos numa incerteza angustiosa e, cessando toda afirmação de sua pessoa, cesse também a própria intimidade de sua consciência. A verdadeira solidão está em um lugar que vive por si e que para você não tem nem voz nem feição, onde o estranho é você.

Assim eu queria estar só. Sem mim. Quero dizer, sem aquele “mim” que eu já conhecia ou pensava conhecer. Sozinho com um certo estranho que eu já sentia obscuramente não poder afastar para longe, que era eu mesmo: o estranho inseparável de mim.

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