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A LIBÉLULA DE SEUS OITO ANOS, Martin Page

março 14, 2011

Fio não chorou. Tinha perdido entes queridos tão jovem, que já se acostumara antecipadamente com o desaparecimento das pessoas que amava. Quando começou a sentir que Zora se tornara sua amiga, tempos atrás, chorou, então, por conta do dia em que a perderia, e já tinha construído uma pequena sepultura para ela no cemitério do seu coração. Fio não acreditava em Deus, mas sabia também que o ateísmo é uma quimera. Inventara, então, as suas próprias crenças. Arrancou uma violeta num canteiro de Buttes-Chaumont, pois, segundo a sua mitologia íntima, quando se colhia uma flor pensando numa pessoa amada e falecida, o seu perfume e a sua beleza se tranferiam para o além.

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