Archive for the 'Nathaniel Hawthorne' Category

VINTE DIAS COM JULIAN & COELHINHO, POR PAPAI, Nathaniel Hawthorne

janeiro 27, 2011

Fomos até o lago, atendendo ao desejo do caro menino. Ele levou a pequena embarcação que seu tio Nat fizera para ele há muito tempo, e que, desde ontem, tem sido seu brinquedo favorito. Lançou-a no lago e ela se parecia muito com uma chalupa de verdade, agitando-se de um lado para outro, em meio às ondas que se formavam. Acredito que ele passaria cem anos, mais ou menos, muito satisfeito, sem nenhum outro divertimento a não ser aquele. Eu, enquanto isso, tirei do bolso a National Era e a li com bastante atenção. Já constatei antes que a melhor maneira de obter uma impressão e sentimento vívidos de uma paisagem é sentar-se diante dela e ler, ou absorver-se em pensamentos: pois então, quando os olhos da pessoa são por acaso atraídos pela paisagem, parecem pegar a natureza desprevenida e vê-la antes que ela tenha tempo de mudar seu aspecto. O efeito não dura senão um rápido instante, e desaparece quase na mesma hora em que a pessoa toma consciência dele; mas é real, durante aquele momento. É como se a pessoa pudesse ouvir por alto e entender o que as árvores estão sussurrando entre elas, é como se pudéssemos dar uma rápida olhada num rosto sem véu, que se vela diante de todos os olhares intencionais. O mistério é revelado e, após uma ou duas respirações, volta a ser o mesmo mistério de antes.

VINTE DIAS COM JULIAN & COELHINHO, POR PAPAI

dezembro 24, 2010

Deixem-me dizer abertamente, só esta vez, que ele é um menino doce e adorável e digno de todo o amor que sou capaz de lhe dar. Graças a Deus! Que Deus o abençoe! Que Deus abençoe Febe por dá-lo a mim! Que Deus a abençoe como a melhor esposa e mãe do mundo! Que Deus abençoe Una, que anseio por tornar a ver! Que Deus abençoe a pequena Botão de Rosa! Que Deus me abençoe, por causa de Febe e de todos eles! Nenhum outro homem tem esposa tão boa, ninguém tem filhos melhores. Gostaria de ser mais merecedor dela e deles!

Minhas noites são todas melancólicas, tão solitárias e sem livros que eu esteja com estado de espírito para ler, e esta noite foi como o resto. Então, fui para a cama por volta das nove horas e tive saudade de Febe.

VINTE DIAS COM JULIAN & COELHINHO, POR PAPAI, Nathaniel Hawthorne

novembro 25, 2009

Coloquei Julian na cama às sete, ou por volta disso, e saí para colher algumas groselhas. Enquanto assim me ocupava, a sra. Tappan passou pela beira do jardim, seguindo para o celeiro mais baixo; e lhe perguntei se Julian dera o coelho de presente a Ellen com a devida cortesia. Ela riu e disse que sim, mas disse também que eles acharam Coelhinho completamente importuno, e que Ellen o maltratava, e que o cão estava sempre tentando pegá-lo – em suma, Coelhinho não se revelara uma aquisição desejável. Ela falou em dá-lo ao pequeno Marshall Butler e sugeriu, além disso (em resposta a algo que eu disse sobre acabar com sua existência), que ele podia ser devolvido ao bosque, para se arranjar por si mesmo. Há algo característico nesta idéia; mostra o tipo de sensibilidade que acha desagradável a dor e a miséria das outras pessoas, exatamente como se fossem um mau cheiro, mas está perfeitamente à vontade quando essas pessoas são afastadas da sua esfera. Suponho que por nada deste mundo ela mataria Coelhinho, embora fosse capaz, sem escrúpulos nem remorsos, de expô-lo à certeza da vagarosa fome.

VINTE DIAS COM JULIAN & COELHINHO, POR PAPAI, Nathaniel Hawthorne

novembro 21, 2009

Tinha um sorriso amável e olhos que respondiam prontamente ao pensamento da pessoa; de modo que não era difícil conversar com ela; uma singular, embora cortês, liberdade para expressar suas próprias opiniões; uma completa ausência de afetação. Essas foram as características que me impressionaram e, levando tudo isso em conta, foi a única visita agradável que tive em minha vida, na condição de escritor. Ela não me entediou com louvações aos meus escritos, mas simplesmente disse que há escritores com quem nos sentimos privilegiados de ter relações, pela natureza da nossa simpatia por sua obra – ou algo parecido etc. etc. etc.

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