Archive for the 'Nick Hornby' Category

FEBRE DE BOLA, Nick Hornby

junho 25, 2010

“O problema do orgasmo como metáfora, neste caso, é que o orgasmo, embora obviamente prazeroso, é familiar, passível de repetição (duas horas depois, se você come bastante verduras) e previsível, principalmente para os homens – se você está fazendo sexo, já sabe o que está por vir, digamos. Talvez se eu tivesse ficado 18 anos sem fazer amor e renunciado à esperança de fazê-lo nos 18 anos seguintes, e aí de repente, sem mais nem menos, uma oportunidade se apresentasse… talvez nessas circunstâncias fosse possível recriar aproximadamente aquele momento em Anfield. Mesmo não havendo dúvida de que fazer sexo é mais agradável do que ver um jogo (não há empates em zero a zero, linhas de impedimento ou zebras nas decisões, além de você estar aquecido), no curso normal das coisas as sensações engendradas simplesmente não são tão intensas quanto as provocadas por um campeonato conquistado uma vez na vida no último minuto.”

ALTA FIDELIDADE, Nick Hornby

janeiro 11, 2010

Aqui está como não planejar uma carreira: a) separe-se de uma namorada; b) largue a faculdade; c) vá trabalhar numa loja de discos; d) fique em lojas de discos o resto da vida. Você pega aqueles retratos das pessoas em Pompéia e pensa, que estranho: um jogo de dados depois do chá e você é congelado, e é assim que as pessoas lembram de você nos próximos milhares de anos. Suponhamos que fosse o primeiro lance de dados que você jogasse na vida? Suponhamos que você só estivesse jogando para fazer companhia ao amigo, o Augustus? Suponhamos que você naquele exato momento tivesse acabado um poema brilhante, ou algo assim? Não seria irritante ser celebrado como um jogador de dados? Às vezes eu olho para a minha loja (…) e para os meus fregueses habituais de sábado, e sei exatamente como aqueles habitantes de Pompéia devem se sentir, se é que podem sentir alguma coisa (embora o fato de que não possam seja o que interessa neles). Estou preso nesta pose, esta pose de gerente de loja, para sempre, por causa de algumas breves semanas em 1979 em que fiquei meio doido por um tempo. Poderia ser pior, acho: eu poderia ter entrado num escritório de recrutamento do exército, ou no abatedouro mais próximo. Mas mesmo assim, eu me sinto como se tivesse feito uma careta e o vento tivesse mudado, e agora tenho que passar a vida inteira com este esgar horrível no rosto.

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