Archive for the 'Oscar Wilde' Category

O RETRATO DE DORIAN GRAY, Oscar Wilde

janeiro 17, 2011

 

— Basta, Basil. Está falando de coisas sobre as quais nada sabe — disse Dorian Gray mordendo os lábios, com expressão de infinito desprezo na voz. — Você me pergunta por que Berwick deixa a sala quando entro. É porque sei tudo a respeito de sua vida, não porque ele saiba alguma coisa da minha.  Com o sangue que lhe corre nas veias, como poderia ter uma vida limpa? Você me pergunta de Henry Ashton e do jovem Perth. Terei eu ensinado a um os seus vícios e ao outro seus desregramentos? Se o tolo filho de Kent toma por esposa uma mulher da rua, tenho algo a ver com isso? Se Adrian Sigleton falsifica a assinatura de um amigo, numa dívida, sou por acaso seu tutor? Sei bem como fala o povo, na Inglaterra. Os que pertencem à classe média ventilam seus preconceitos morais à mesa de jantar e cochicham sobre o que eles chamam a libertinagem de seus superiores, para fingir que frequentam a alta sociedade e tem intimidade com as pessoas que difamam. Neste país, basta um homem ter distinção e inteligência para que as línguas dos medíocres se agitem contra ele. E que espécie de vida leva esta gente que assume atitude moralista? Meu caro, você se esquece de que estamos na pátria dos hipócritas.

A IMPORTÂNCIA DE SER PRUDENTE, Oscar Wilde

dezembro 11, 2009

“ALGERNON. A crítica literária não é o seu forte, meu caro amigo. Nem é bom tentar. Deixe isso aos que nunca freqüentaram uma universidade. Fazem crítica com tal perícia nos jornais diários! O que você realmente é, é um bunburista. Razão de sobra tive eu em qualificar você de bunburista. É um dos mais requintados bunburistas que eu conheço.

JOÃO. Que quer dizer você com isso?

ALGERNON. Você inventou um utilíssimo irmão mais moço, Prudente, a fim de poder dar uma fugida até a cidade quantas vezes quiser. Eu inventei um inestimável amigo permanentemente enfermo, chamado Bunbury, que justifica a minha ida ao campo sempre que me aprouver. “

O RETRATO DE DORIAN GRAY, Oscar Wilde

maio 20, 2009

O Retrato de Dorian Gray

“É triste pensar nisso, mas, indubitavelmente, o Génio dura mais do que a Beleza. Isto explica o motivo pelo qual nos damos tanto trabalho para adquirir cultura. Na luta feroz pela existência, desejamos ter algo de perdure e, assim, atravancamos nosso espírito de inutilidade e fatos, com a tola esperança de conservar o nosso lugar. O homem bem-formado em tudo – eis o ideal moderno. E a mente do homem bem-formado é uma coisa horrível. Assemelha-se a uma loja de quinquilharias, cheia de de monstruosidades e de pó, tendo todos os objetos preço superior ao verdadeiro.”

“A fidelidade é, para a vida emocional, o que a coerência é para a vida do intelecto – simplesmente uma confissão de fracassos. Fidelidade! Preciso analisá-la um dia. Nela se acha a paixão pela propriedade. Há muitas coisas que gostaríamos de jogar fora, não fosse o receio de que outras pessoas as apanhassem.”

%d blogueiros gostam disto: