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FACA, Ronaldo Correia de Brito

agosto 22, 2011

“— Um homem me pediu pouso. Era como você quando chegou aqui naquela primeira tarde. Sabia dele como sabia de você. Não perguntei nada e tratei das suas feridas. Os olhos dele não paravam de me fitar. Tinha fome e comeu muito. Quando dormiu, vi o seu abandono. Os homens, quando dormem, não escondem nada.”

“A faca correu pelas mãos de todos os ciganos. Quem a segurava, tremia. Pouco guardava do antigo brilho. Aquela luz cega de morte, que horrorizou Francisca e lhe deu força para lutar com os tios maternos.

— Eu compreendo o ódio de vocês — tentou falar calmo Anacleto Justino. — Mas respeitem a casa e as leis da hospitalidade. Sobretudo, quando esta hospitalidade é para um irmão.

Luiz e Pedro choravam. Pela primeira vez, desde que aprenderam que choro envergonha.”

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