Archive for the 'Sêneca' Category

TIESTES, Sêneca

maio 18, 2010

MINISTRO

Em nada te preocupa a opinião pública adversa?

ATREU

A suprema vantagem do poder é forçar o povo a sofrer e a louvar as ações do seu amo!

MINISTRO

Aqueles a quem o medo obriga a louvar, esses mesmos o medo transforma em inimigos. O rei que deseja o sincero louvor popular prefere ser louvado em silêncio a escutar aplausos.

ATREU

Louvores sinceros muitas vezes os obtém um homem humilde; falsos, só o poderoso os alcança. O povo há de querer o que não quer!

MINISTRO

Se o rei tiver honestos propósitos, todos os terão idênticos.

ATREU

Quando só a honestidade é lícita aos governantes, fraco governo se exerce!…

MINISTRO

Mas quando falta o pudor, o respeito pela lei, a honra, a virtude, a confiança, o poder torna-se instável.

ATREU

Honra, virtude, confiança… isso é para o cidadão comum! O rei segue o caminho que lhe apraz!

AD PAULINUM DE BREVITATE VITAE, Sêneca

outubro 5, 2009

VII, 3

Finalmente, todos concordam, que um homem ocupado não pode fazer nada bem: não pode se dedicar à eloquência, nem aos estudos liberais, uma vez que seu espírito, ocupado em coisas diversas, não se aprofunda em nada, mas, pelo contrário, tudo rejeita, pensando que tudo lhe é imposto. Nada é menos próprio do homem ocupado do que viver, pois não há outra coisa que seja mais difícil de aprender.

SOBRE A VIDA FELIZ, Sêneca

agosto 7, 2009

Viver feliz, meu irmão Galião, todo mundo quer, mas ninguém sabe ao certo o que torna a vida feliz; e não é fácil conseguir a felicidade, uma vez que, quanto mais ardentemente cada um a procura, se erra o caminho, mais dela se distancia; se o caminho o leva no sentido oposto, a própria velocidade aumenta a distância. Portanto, em primeiro lugar, devemos estabelecer antecipadamente o que buscamos atingir; depois, devemos examinar por onde podemos chegar lá mais rapidamente, e veremos, pelo caminho, desde que seja o certo, quanto avançamos cada dia e quanto nos aproximamos do objeto para o qual nos impele um desejo natural.
Enquanto vagarmos ao acaso, tendo por guia apenas os rumores e clamores dicordantes que nos chamam de todos os lados, nossa vida será consumida em idas e vindas e, além disso, abreviada, embora trabalhemos dia e noite para o nosso aperfeiçoamento.
Portanto, temos de decidir aonde vamos e por onde, não sem a ajuda de alguém experiente que conheça bem o caminho que pegamos, pois aqui, a situação não é a mesma que nas outras viagens: nelas há um caminho, e os habitantes que interrogamos não deixam que nos extraviemos; mas aqui, o caminho mais movimentado e mais conhecido é o que mais engana.

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