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HIGIENE DO ASSASSINO, Amélie Nothomb

junho 2, 2009

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“Se eu soubesse em que penso, provavelmente não teria me tornado escritor.”

“Na imensa maioria dos casos, os seres humanos são gentis é para que os deixem em paz.”

“- Senhor Tach, o senhor alguma vez dirige a palavra a alguém que não seja para ofendê-lo?
– Eu nunca ofendo, senhor, eu diagnostico.”

“A esse respeito, há uma citação excelente, de um intelectual cujo nome esqueci: ‘No fundo, as pessoas não leem; ou se leem, não entendem; ou, se entendem, esquecem'”.

“- Atenção, não confunda as coisas: escrever não é tentar se comunicar. O senhor me pergunta a razão para escrever, e eu lhe respondo muito estritamente e muito exclusivamente o seguinte: para gozar. Dito de outro modo, se não há gozo, é imperativo parar.”

“Ora, uma das características de nossa espécie é que nosso cérebro acredita estar sempre na obrigação de funcionar, mesmo quando não serve para nada: esse inconveniente técnico deplorável está na origem de todas as nossas misérias humanas.”

“Ter razão, quando se é jornalista, só pede um pouco de habilidade. Ter razão, quando se é escritor, não existe.”

“- O senhor sabe que tais lugares-comuns adquirem um sabor irresistível na boca de um Nobel de Literatura?
– Você não sabe como tem razão. Quando se chega ao meu grau de sofisticação, não se pode pronunciar uma banalidade sem desfigurá-la, sem dar-lhe ares dos mais estranhos  paradoxos. Quantos escritores terão escolhido essa carreira com o único objetivo de um dia conseguir ir além dos lugares-comuns, chegar a uma espécie de no man’s land onde a palavra é sempre virgem. Talvez seja isso a Imaculada Concepção: dizer as palavras mais próximas do mau gosto e permanecer em uma espécie de estado de graça, para sempre acima dos acontecimentos, acima das gritarias derrisórias. Sou o último indivíduo do mundo a poder dizer ‘Eu a amo’ sem ser obsceno. Que sorte a sua.”

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